BLOCOS DE CARNAVAL BRASILIENSES ABRAÇARAM A SONORIDADE NORDESTINA E MANTÊM OS RITMOS VIVOS NA CAPITAL
O carnaval brasiliense mistura ritmos e culturas, agradando foliões de diversos tipos. O Nordeste é muito presente nessa época do ano e blocos brasilienses abraçam os sons da região. O frevo é um dos ritmos que compõem a trilha sonora candanga, em blocos como o Galinho e o Vassourinhas.
O Vassourinhas, criada em 1967, carrega a identidade da cultura do frevo, que é património imaterial do Brasil e do mundo pela Unesco. “Brasília tem muita conexão na identidade cultural com a música do nordeste brasileiro e carregar essa representação sonora do frevo no carnaval é de fato uma coisa que vem de muito longe e de certa forma faz um coroamento do pertencimento que o brasiliense tem com essas heranças culturais”, afirma o Maestro Fabiano Medeiros, do bloco Vassourinhas. Para o maestro, manter essa tradição viva é uma ação de valentia que guarda a potência e diversidade de Brasília.

O objetivo do bloco é proteger, difundir e transmitir a cultura nordestina nos dias de carnaval, mesmo com todas as dificuldades. “A tradição não encontra um abrigo perfeito na mão do Estado. São muitos os desafios em colocar o bloco, mesmo todo ano tendo as mesmas datas, há inúmeras dificuldades”, afirma o maestro. “Mas um bloco com o DNA de resistência como o Vassourinhas de Brasília tem que lutar o ano todo para organizar, conseguir parceiros e finalizar com e entrega ao folião”, destaca o Maestro Fabiano Medeiros.
O Carnaval de Brasília, com sua grande força cultural, tem crescido no cenário nacional. “É preciso avançar e encontrar um modelo de organização do Estado na qual essa diversidade apareça com um das caractéristicas do carnaval de Brasília. temos de tudo um pouco e isso precisa ser canalizado de forma profissional para fortalecer tanto a grande cadeia produtiva como a nossa identidade”, comenta o Maestro Fabiano Medeiros, que espera que esse ano o bloco seja de muita alegria, paz, cuidado e muito respeito.

A Orquestra Marafreboi, da qual Fabiano faz parte, é a grande responsável pelos blocos de frevo na capital. Além do Vassourinhas, a Orquestra também está presente no Galinho, bloco criado em 1992. Romildo de Carvalho, diretor do Galinho, não conseguiu chegar en Recife para o Galo da Madrugada, o bloco que já era tradição para a família. “Resolvemos que faríamos um carnaval no moldes do Galo da Madrugada, tendo com ritmo único a execução de frevos. Como não era possível ir para o Galo, resolvemos ir para rua”, conta Romildo.
A missão inicial do bloco era manter viva a chama do frevo, que abriu espaço para trazer outras manifestações nordestinas como maracatu nação, maracatu rural, caboclinhos, cavalo marinho, o bumba meu boi e o boi bumbá. “Hoje, somos reconhecidamente como salvaguarda do frevo, com a chancela do IBF(Instituto Brasileiro do Frevo). É importante ressaltar que o Galinho de Brasília foi o primeiro bloco a ser aceito pelo Galo da Madrugada por meio do eterno presidente do Galo da Madrugada, Enéas Freire”, explica o diretor.
O Galinho é um dos responsáveis por incorporar e defender as manifestações culturais nordestinhas no Distrito Federal. “É importante para mostrar que Brasília é concebida apenas para o turismo cívico, mas é uma cidade que pode chegar a apresentar o melhor carnaval do país, até porque o frevo, o samba e o axé aqui encontram suas representações, razãoes pela qual o investimento no carnaval e em outros festejos é essencial”, reforça Romildo.
A organização do bloco também se preocupa em promover oficinas e intercâmbios entre músicos, passistas, aderecistas, cantores e produtores, para acrescentar muito a população do DF. O Galinho se tornou um grande ponto de encontro entre a comunidade nordestina da capital, mas, atualmente, conquistou os foliões brasilienses e atrai brincantes de vários estados, inclusive de Pernambuco, que é o berço do frevo.
A diversidade do carnaval na capital tem crescido a cada ano. Atualmente, mais de 160 blocos estão cadastrados junto à Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal. “Todos os ritmos são encontrados aqui no DF, e isto torna o carnaval cada vez mais plural em nosso quadradinho”, afirma Romildo. Em relação a expectativa para esse ano, Romildo cita um dos versos da música Voltei Recife, composição de Luiz Bandeira. “Quero sentir a embriaguez do frevo, que entra na cabeça, depois toma o corpo e acaba no pé”, finaliza o diretor do Galinho.
Por Correio Braziliense em 17 de Fevereiro de 2026
MARIANA REGINATO
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